Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Não sei como começar. Acho que não sei, sequer, como descrever os últimos dias, semanas, meses...Mas os últimos dias foram, no mínimo, tortuosos.

A minha vontade de dormir é enorme, gigante, animal! Seja o que for maior do que a vontade de fazer qualquer outra coisa. Era desaparecer e voltar daqui a um ano, no mínimo.

Nem era desaparecer. Era dormir. Hibernar mesmo. Só queria poder desligar completamente e mandar tudo ir dar uma grande curva a um certo sítio. Esta impotência e esta obrigação que me obrigam a levantar todos os dias para fazer alguma coisa que, só de pensar, me arranca o restinho de ânimo que vai havendo em mim... matam-me.

Todos os dias. Cada dia que passa traz consigo uma angústia atroz. É como andar pela casa, pela escola, pelas ruas, pelo hospital, religiosamente, "a arrastar correntes".

Sinceramente, já nem sei o que ando a fazer...ou para quê. Só queria que acabasse tudo, muito rápido.
Colocar isto sem soar a drama era escrever uma mentira.

Eu só espero estar enganada... porque senão, todo o esforço e desespero serão em vão, certamente andam por aí pessoas extremamente infelizes com o que têm e fazem, e a minha resistência às adversidades deste ano vai atingir o limite muito em breve...

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Ponto Rebuçado

Eu só queria que qualquer coisa explodisse. Qualquer coisa!!
Só isso.


Pensando bem, se fosse a minha cabeça então era óptimo!

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

O que podia ser a página de um diário:

Nesta casa, nunca mais dormi como antes. Nunca precisei de velas ou televisões ou computadores para me trazerem sono. Nunca tive uma portada que me bloqueasse a luz, tanto como agora. Foi assim que percebi como sou uma enorme admiradora de estores.
Nunca tinha passado tanto tempo com saudades, a desejar que aparecessem amigos ao portão para me levarem daqui, nem que fosse só por umas horas. Nunca tinha acordado tantos dias seguidos, a olhar para a janela e respirar fundo, não vão as lágrimas soltarem-se, logo pela manhã. Os telefones nunca pareceram uma invenção tão genial!
A música já não consola como dantes, o que é grave, visto ser o único consolo por aqui...
Preciso da minha falta de horas certas para levantar, comer, sair, deitar… Afinal, neste fim do mundo que diferença faz?! Para além de que este fim de mundo consome toda e qualquer vontade que tenha de fazer o meu tempo render, é deprimente! Eu nem sequer gosto muito de campo…
Morro com a falta de pessoas, de barulho, de luz à noite, de amigos “à distância de uma rua”, de LISBOA! Acho que isto é do que as pessoas se queixam quando não vão a casa… A diferença é que eu já não vou a casa há um ano e cinco meses, nem posso ir.

Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

'Sitting, Waiting, Wishing...'

Dei por mim a escrever sem ter paciência, por isso, vou ser breve. Se hoje me dissessem que tinha uma oportunidade de alterar uma série de coisas, desde acontecimentos a características pessoais, amanhã acordava uma pessoa nova.
Na falta de melhor, esperam-se milagres.

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Black Swan

Hoje na minha "pausa" dei um pulinho ao cinema. E apesar de estar enterrada de todo para a frequência de amanhã, não me arrependo nem um bocadinho.

Fantástico! Fica aqui o ponto alto...

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

Em Silêncio

Hoje escapei-me ao tradicional comboio e consegui uma boleiazinha para casa, sempre sorrindo às piadas do condutor por educação, não fosse ele estranhar. Rir é a ultima coisa que me apetece. Só espero que me perdoe já não ser a aluna brilhante que já fui noutra vida.
Saí às 22h e então não sei se isto não serão só devaneios de final de dia ou crise de trazer por casa em época de frequências. Vim a ouvir uma rádio que não costumo, com um estilo de música diferente do que ouço todos os dias. E sabe-me bem. É a banda sonora perfeita.

Mais uma vez devia estar a estudar e, em vez disso, estou a inventar.

Sinto-me a mudar. Estou menos resistente. O frio dói-me e não gosto que assim seja. Quero dormir, dormir muito! Quero embrulhar-me em cobertores e agarrar-me às minhas leituras e aos meus filmes e não largar mais. Estou mais crítica. Menos crédula…muito pouco até, até demais. Quero mais paz e quero mais vida. Estou cansada de estar zangada, Estou cansada de dar para trás a tudo e já não saber estar bem e pronto sem esta maneira atrapalhada e insegura que me faz estranha.
Estou cansada de ouvir. Estou cansada de falar de volta a quem me fala. Falam de mais à minha volta e eu odeio conversa de conveniência e curiosidades educadas.
Não quero mais esta ansiedade carregada de incerteza no sucesso desta tarefa impossível que trago até ao fim do próximo mês. Morro de medo só da hipótese. Desgasta-me pensar no pânico. Desmoraliza-me por completo. Quero dormir como nunca.


"Something has left my life and i don't know where it went to
(...)
Say a prayer for me
Help me to feel the strength i did
My identity has it been taken?
Is my heart breaking on me?"

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Revoltas e apatias

Gosto da passagem de rompante dos comboios, ao meu lado. Como uma pancada que me atravessa e me sacode o corpo. Faz-me sentir algo iminente.
Faz-me falta o inesperado. O que me surpreende, o que me arrebata. Já nada me surpreende e acho triste constatar isto tão cedo. Tudo me parece igual, normal e ridículo.
As saudades de fazer o que gosto porque sim. Sentar-me a ler um livro em qualquer lado porque me apetece e demorar. Não um livro de estudo. Um bom livro. Daqueles que eu tanto gosto.
Só que não há tempo! Não tempo para rigorosamente nada! Nem na curta viagem de comboio até casa leio o meu livro, por que devia estar ler outros mil e quinhentos documentos de estudo! E é assim em tudo. Não há tempo para nada. E se tentamos criar alguma coisa, expressar, divulgar, experimentar, lá vem o tempo e a sua pressa crescente mais o que há fazer. O nosso modelo acaba com o nosso ser. Degola-nos a criatividade. Mata-nos aos poucos. Até ao escrever este texto sinto que deveria estar a fazer qualquer outra coisa, menos escrevê-lo.
Nada se aproveita em prol do tempo.
É humanamente possível viver-se assim? Ser-se assim? Fingir ser-se?
Eu falo por mim… e sinto-me um buraco negro.

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010